Hudson Henrique.
Tentando ser tudo no meio do nada. Sendo um nada no meio de tudo, entre todas as outras casas.
Capa Textos Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links

 
Textos
404, encontrado.

Fiquei olhando o céu
enquanto você no meu peito deitava.
Observando as poucas janelas
ainda acesas daquelas casas.

Vizinhança pouco agitada.
Preparavam seus aposentos com calma,
pra poder deitar no travesseiro
e não sentirem mais falta.

Poderia dizer que foi o melhor dia da minha vida.
Prédios rachavam,
os lábios ainda se tocaram de uma forma intensa
ao som de alguma música de piano.
Os corpos se rolavam pela sua sala,
depois para seu quarto.

Noite adentro senti que nada poderia me parar naquele momento,
só o tempo.
O tempo sempre me pega de jeito,
me fazendo perceber
como eu não tinha te encontrado antes.

Foi bom te ouvir falar,
tocar os teus lábios naquela mesa de bar.
Cada sílaba que pronunciava,
Eu ficava observando o contorno do teu riso,
as palavras saiam de forma tão calma.

Inevitavelmente...
te abraçava.
Meu deus, o teu sorriso.
É por ele que não durmo mais.
Cada momento que passa
sinto que estou mais perto
de achar meu lugar.

O meu lugar,
pra dizer que é aqui que eu quero ficar.

Sentir seu cabelo
e o teu abraço que me lembrava coisas boas,
igual o cheiro da sua pele.
Não posso mais me enganar,
preciso dar dois passos por vez,
já aprendi muito bem a perder e me perderem.
E te perder
também seria o fim pra mim.
O fim de algo que não começou.

Mas por mim,
já seria protagonista desse filme
ainda nos créditos iniciais,
começaria nesta cena
e voltaria sempre atrás.

Rebobinando as lembranças
pra te trazer no meu presente.
Poder de volta sentir o teu beijo,
teu cheiro, a sua luz dentro do olhar.
Especialmente se você se lembrar
do que falei pra te encantar.

Estava frio, mas eu te abraçava,
e assim o vento cortava
igual uma lâmina de barbear.
A noite sangrava pela sombra dos arranha-céus.
Costurando as ruas desconhecidas e sem nome,
procurava te conhecer um pouco mais.
Sabendo que eu deveria te cuidar agora,
que me provei diferente dos outros.
Entretanto ainda me engano,
pensando que posso fazer você dizer tudo
o que eu queria ouvir.

Tropeçando em caixas de cigarros vazias, ou que seja,
teus lábios ainda tinham gosto de cerveja.
E cada loja aberta que a gente passava, entrava,
procurando algo pra poder fazer.
Escutavam nossas falas a quadras de distância.

Cada piada sem graça que te contava, mais você dava risada,
não sabia onde esconder a cara
que sem fôlego ficava.

De mãos dadas a gente andava.
Rumo que só você sabia,
caminho que só você trilhava.
Mesmo um pouco longe de si, se lembrava:
onde morava.
Eu vi as estrelas do seu teto,
a lua caída sobre a luminária.
O céu está ruindo e caindo aos pedaços
e eu só pensava em te olhar.
Foi bom te conhecer,
bom falar com você.

Meu nome ficou na sua parede,
estampado de giz em um quadrado no canto.
Espero que fique também em seu coração marcado,
igual uma cicatriz que o tempo denominou como um sonho.
Ainda que tivesse garoa lá fora,
eu preferia abrir essa gaiola
e voar igual a andorinha da sua tatuagem nas costas.

Não esqueças meu nome,
quem eu sou, e o porquê estou aqui.
Só um novo começo pra iniciar todo esse calor,
não me deixa cair.
Não queria demorar tanto tempo pra te falar isso.

Mas esse filme se repete
como um vinil riscado.
Do qual a agulha fica pulando
de forma ensurdecedora em minha mente.
Só fechar os olhos,
basta eu fechar os malditos olhos
e lembrar que você esteve tão perto assim,
tão encostada,
tão dentro de mim.

Enquanto os lábios se mexiam vagarosamente,
o céu ia despencando devagar.
O vento entrava pela janela,
anunciando que não somos impermeáveis ao que sentimos.

Tenho medo de te assustar, de lhe afastar.
Não quero ser exagerado,
mas eu nunca vi pessoa tão bela assim.
Por favor,
não foge de mim.

Devia ter ficado,
devia ter ficado mais tempo.
Estava tão longe de casa,
algumas coisas e decisões precisam ser tomadas.
Fui embora, precisava.
Aquele elevador se fechando
e eu te perdendo de vista.
Você me lembrando: "me avise quando chegar",
mas eu já tinha chegado.

Sempre com o seu jeito,
tão animada.
Nunca vou me esquecer daquele andar,
nessa rua calma.

Só levantei e calcei meus sapatos.
Abri a porta
e saí daquele quarto,
de
número
404.
- Hudson Henrique.

Site oficial: www.hudsonoficial.com
Esse poema e muito mais está disponível no livro "Todas as músicas que nunca cantei", no Amazon Kindle! Clique aqui!
Hudson Henrique
Enviado por Hudson Henrique em 11/01/2021
Alterado em 11/01/2021
Comentários
Somos todos Anjos bêbados demais pra voltar p... R$16,90 Madrugada adentro como essas, costumam me pux... R$14,99 Todas as músicas que nunca cantei. R$14,99
Capa Textos Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links